Respirando fora da bolha assassina

por Cobi Cruz, Diretor executivo da Organis – Associação de Promoção dos Orgânicos

 

 

 

“O mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando.”

Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas

 

A Bolha Assassina é um filme antigo, meio terror, meio ficção científica e, cá entre nós, involuntariamente humorístico em alguns momentos. O protagonista é um alienígena que absorve as pessoas, uma espécie de gelatina ácida que vai crescendo a cada vítima, até se tornar um perigo para toda a humanidade.

A obra explora o medo de perder a personalidade, tornar-se parte de um ser monstruoso e, além de tudo, ver suas energias vitais colaborando para que o monstro fique cada vez mais forte e perigoso para os demais.

Passados sessenta e oito anos da estreia de The Blob, a ameaça é uma outra bolha, desta vez bem real e infinitamente mais assustadora que a meleca gulosa da ficção.

A bolha de agora não precisa nos perseguir, pois vamos a ela por vontade própria, para sermos devidamente incorporados e, embriagados pelo poder do grupo, fazer crescer o gigantesco organismo.

Não é à toa que hoje se diz “pensar fora da bolha” como sinônimo de um grande desafio. É realmente difícil se afastar da embriaguez desse convívio viciante com quem compartilha gostos e crenças semelhantes, afaga nossa ignorância e confirma nossos preconceitos. Vício que a tecnologia não criou, diga-se de passagem, mas fez crescer exponencialmente, em ritmo de cada vez mais poderosos algoritmos.

O conceito da Atmosfera Orgânica surgiu como uma pequena colaboração, uma brisa refrescante da Organis neste difícil momento da aventura humana no planeta.

Para arejar os pensamentos e pacificar nossa relação com os recursos tecnológicos que beiram a magia. Para torná-los ferramentas que multipliquem as possibilidades de interação entre os diferentes, inclusive os muito diferentes. Para servir de habitat amplo e aberto, onde possam flutuar juntos os nossos ideais compartilhados de saúde, alegria, paz e verdadeira prosperidade.

Mas o espaço da Atmosfera Orgânica não é apenas o universo virtual. Ela é composta pelo clima de pessoas que respiram ar livre, o rosto sob o vento da diversidade, os passos nos caminhos da inovação.

Gente que tem a ousadia de pensar fora da bolha assassina. Que compreende a urgência de dar um respiro ao meio ambiente e tudo o que ele representa. Quem se inspira na Atmosfera Orgânica sabe que existem formas mais eficazes e amigáveis de produção e consumo, que, por sua vez, trazem junto um novo jeito de ser, uma consciência coletiva que cresce cada vez mais.

Como tudo que é denso, mas se espalha no ar, a Atmosfera Orgânica traz consigo outros significados.

Prometo falar sobre eles em nova conversa. Mas já é um bom começo dizer que ela pretende ser um sopro de vida.

Somos pretensiosos? Talvez sim, mas não estamos na bolha. E nem sozinhos.