O garotinho da imagem está assustado com o que está acontecendo, entretanto ele sabe que existe uma porta a sua espera. Ele irá abri-la.

 

O garotinho da imagem está assustado com o que está acontecendo,  entretanto ele sabe que existe uma porta a sua espera.

 

Ele irá abri-la.


Tecnologia brasileira que faz sandálias de praia completamente sustentáveis é premiada

Cerimônia de premiação realizada na noite de 9 de novembro na cidade de Caxias do Sul/RS

 

Tecnologia brasileira que faz sandálias de praia completamente sustentáveis é premiada na 2º edição do Prêmio Plástico Sul de Inovação & Sustentabilidade

por jornal Onews

A 2º edição do Prêmio Plástico Sul de Inovação & Sustentabilidade tem como objetivo reconhecer os melhores cases do setor plástico em categorias que atendam os pilares de Inovação e Sustentabilidade.
A congratulação, diferenciada das já existentes no setor, é realizada exclusivamente através de inscrições de cases da cadeia produtiva do plástico e avaliada por uma comissão de jurados composta por integrantes da indústria e da academia.
A curadoria e pesquisa fica sob responsabilidade da Maxiquim Assessoria de Mercado.
Neste ano o Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás) foi o responsável pela organização.
A Cerimônia híbrida contou com transmissão ao vivo no YouTube.
As divisões produção limpa, iniciativa de logística reversa, compromisso social, produto com conteúdo reciclado, novos aditivos ou biomateriais e gestão sustentável, concorreram na categoria sustentabilidade.
Na categoria inovação as divisões foram nova aplicação e novo produto por processo de transformação: injeção-extrusão-sopro, embalagens inteligentes e indústria 4.0 no setor plástico.

Em 1ª lugar na categoria  produto com conteúdo reciclado venceu o prêmio a tecnologia brasileira Therpol Sustainable Innovation com o case "Sandálias em Therpol - O Plástico do Futuro e Economia Circular juntos", criada pela indústria PROQUITEC S/A.

Descoberta pelo brasileiro Sidnei Nasser, considerada a mais inovadora revolução industrial no plástico, a tecnologia Therpol é promissora aliada da economia circular mundial.

Originada inicialmente a partir do pó de pneu transformado em termoplástico, a tecnologia foi descoberta em 1996, uma época em que pouco se falava sobre sustentabilidade.

Retomada em 2019 pelo empresário brasileiro, substituindo o pó de pneu por borracha natural da seringueira, a tecnologia Therpol permitiu então a confecção de artigos coloridos alcançando similaridade maior com a borracha vulcanizada e, de forma inédita, revolucionária e decisiva proporcionou a economia circular do plástico, o descarte zero, em 100% de suas aplicações.

A tecnologia descoberta renova as propriedades do plástico reciclado, proporcionando para este plástico uma qualidade superior quando comparado ao plástico virgem. A borracha natural que tem no Therpol proporciona agarre, não escorrega, é flexível, não quebra, tem resistência ao impacto,  com resultado positivo na mistura ao polipropileno ampliando sua aplicação a outros plásticos.

Ao ser premiado o empresário Sidnei Nasser enfatizou a importância da união das tecnologias disponíveis para o momento em que estamos vivendo em todo o mundo.

"Esse case é um dos noventa que já temos com Therpol, que é uma tecnologia muito nova, lançada pouco antes da pandemia. Estamos alcançando resultados pela ideia de que quando falamos em sustentabilidade colocamos uma árvore em nossa conversa. Nós pegamos o látex da seringueira, que é a borracha e pela primeira vez no mundo incluímos essa borracha no plástico.

O case que vence hoje engloba um dos artigos mais vendidos e mais simples do que é a sandália de praia.

Uma alça que normalmente ainda hoje é de plástico, desenvolvemos em Therpol sendo 25% mais leve.

Se toda a produção do Brasil de 600 milhões de pares de sandália mudarem para Therpol nós teremos uma economia de 8 mil toneladas de matéria prima por ano só neste país.

Ela é 100% injetável em equipamento de plástico e isso só foi possível pela participação de calçadistas, designers, injetoras que fazem parte de nossa equipe no Brasil. As tiras dessa sandália não arrebentam pois tem 800% de alongamento, reciclada 100% na base e na alça, com rastreabilidade.

Não existe solução única de sustentabilidade, a ideia neste momento é que um projeto se encaixe a outro e que nós juntos, usemos todas as tecnologias disponíveis”, pronunciou o CEO.

"Agradecemos a todos os parceiros que tornam a Sandália de praia Sustentável, fazendo uso da Economia Circular, um sucesso", disse ao final do evento Simone Custodio, gerente de marketing e novos negócios da tecnologia Therpol.

O Prêmio recebeu apoio institucional das Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (ABIEF), Associação Brasileira de Biopolímeros Compostáveis e Compostagem (ABICOM), Plastivida, Instituto Nacional do Plástico (INP),  Instituto Brasileiro do PVC,  Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins (Adirplast), Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast), Sindicato da Indústria de Material Plástico  de Santa Catarina (Simpesc), Sindicato da Indústria de Material Plástico no Estado do Paraná (Simpep), Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Vale dos Vinhedos (Simplavi).

 

A seguir está "O PLÁSTICO DO FUTURO – O FILME, a quinta revolução industrial é verde e brasileira.

https://youtu.be/uvWyTgg-nGA

 

A premiação completa que ocorreu na noite desta terça feira em Caxias do Sul poderá ser assistida abaixo aos 57:07 minutos exatamente.

https://youtu.be/C7HCkkgH1oE


Todo Mundo On - canção da nossa campanha 2022

 

O jornal Onews apresenta a canção tema da campanha 2022 por um Brasil Mais Orgânico. 🌳

🎼🎬🎤 TODO MUNDO ON

https://youtu.be/fQDYWibZs7o

FICHA TÉCNICA
Composição: Marcos Talini
Intérprete: Marcos Talini
Direção Musical: Luciano Cesar
Arranjos: Tiago Marques Cesario / Luciano César da Silva
Teclado: Tiago Marques Cesario
Bateria: Erick Gonçalves Silva
Baixo:Tiago Marques Cesario
Violões: Tiago Marques Cesario
Strings: Luciano César
Percussão: Luciano César da Silva
Coro: Alice de Souza Inácio Gonçalves
Coro: Marcos Fagom
Estúdio: Estúdio Tríade MG
Engenheiro: Luciano César
Mix / Master: Luciano César

Produzido por: Kátia Bagnarelli / Jornal Onews
Direção geral: Grupo Bagnarelli de Comunicação

*todos os direitos reservados🍃


Lia Palm e a equipe do projeto Ligue os Pontos, política pública da cidade de São Paulo premiada e compartilhada - o Brasil agrícola que queremos

Agricultora em sua propriedade incluída no projeto Ligue os Pontos, da prefeitura de São Paulo

Ligue os Pontos, política pública da cidade de São Paulo premiada e compartilhada - o Brasil agrícola que queremos

por Kátia Bagnarelli para Jornal Onews, exclusivo

 

Lia Palm

é servidora pública na prefeitura de São Paulo há cinco anos. Sua carreira, analista de políticas públicas e gestão governamental, é árdua e requer extrema dedicação. Lia não está sozinha, ao lado dela atuam outros grandes profissionais que dedicam talento e tempo ao projeto desde o início. Todos eles têm uma característica de circular pelas políticas.

Lia já trabalhou com política de educação, administração penitenciária, planejamento, gestão e melhoria de serviços públicos. Migrando de secretaria para secretaria, chegou num momento onde quis trabalhar com melhoria de políticas a fim de conseguir entregar maiores resultados à algo pelo qual sempre foi apaixonada na vida pessoal.

Lia define sua paixão considerando a importância dos aspectos mais básicos e esquecidos em nossa sociedade: a agricultura das cidades e a questão da alimentação em São Paulo.

Nós nos encontramos com ela online, numa tarde fria de sexta-feira. Alegre, enérgica, empoderada e realmente apaixonada, ela narra de forma contagiante a sua trajetória no projeto Ligue os Pontos.

Um legado público inspirador e que tem engajado para o trabalho em conjunto secretarias diversas da cidade, o governo de seu estado e outras federações em parcerias colaborativas inéditas.

"Quando consegui chegar ao projeto ele já estava em andamento. O Ligue os Pontos nasceu quando a prefeitura fez o plano diretor com a necessidade de preservação ambiental de uma parte do Cinturão Verde e dos reservatórios de água que estão dentro do território.

No plano diretor foram restabelecidas as zonas rurais da cidade. São Paulo é 30% rural, e esse Cinturão Verde cheio de floresta e de produção de água é essencial ambientalmente, entretanto é um território muito complexo. As pessoas acabam sendo expulsas para estas áreas, temos nelas ocupações irregulares em áreas ambientalmente sensíveis.

A fiscalização precisa acontecer, mas não é suficiente. Assim a inovação do projeto desde quando foi proposto que é trabalharmos com essa visão de vocação e práticas desses territórios. Quais são as práticas econômicas compatíveis com o meio ambiente?

As respostas vem da agricultura de boas práticas com foco na agricultura orgânica, na transição agroecológica, no ecoturismo, nas pessoas conhecerem mais para valorizarem esses territórios.

Despertar a população para perceber que há uma agricultura na cidade com o objetivo de que essas terras não acabem abandonadas pela desvalorização do agricultor, que tem na própria atividade uma rotina muito dura por falta de condições apropriadas e alta vulnerabilidade.

Quando da saída do agricultor, essas terras acabam sendo ocupadas por loteamentos clandestinos ou condomínios. Este foi o “problema” do projeto, e ele é interessante pela capacidade de enfrentar algo complexo de forma complexa também, olhando para as várias questões que estão acontecendo. 

Lia Palm, analista de políticas públicas e gestão governamental

O “Ligue os Pontos” vem tanto de uma conexão dos agricultores com o maior mercado do Brasil - estamos muito perto do mercado consumidor e ao mesmo tempo muito longe na prática em relação ao acesso - como também dessa necessidade de uma visão territorial de tentar trabalhar em conjunto, de fazer com quem já faz, de articular as políticas públicas internas na prefeitura com atores externos da sociedade civil.

 

Com essa ideia, em 2016 o projeto concorreu a uma premiação da Bloomberg Philanthropies que se chama “Mayors Challenge”. São Paulo concorreu com muitas cidades, ficou entre as cinco finalistas e recebeu o prêmio em primeiro lugar.

 

 

Na zona sul da cidade está a maior parte da área rural e é o foco do Ligue os Pontos, onde trabalhamos muito, embora tenhamos ações para a cidade inteira. Temos zonas rurais também na zona norte e na zona leste e uma agricultura muito diversificada no restante da cidade.

A característica da zona rural sul é muito mais rural de fato, o que se chama de periurbana. Poucos sabem que há muita agricultura urbana e periurbana na cidade com trabalhos muito ricos.

É interessante entender a estrutura do projeto. Existem várias políticas há um tempo na prefeitura, em especial, temos o PROAURP - Programa de Agricultura Urbana e Periurbana, instituído por lei em 2004, que tem entre seus objetivos incentivar e apoiar a produção agroecológica e a comercialização na cidade de São Paulo, temos Casas de Agricultura instaladas, temos Assistência Técnica no território, mas é uma política que precisa ser fortalecida.

Ela sempre está numa luta de fortalecimento. Entretanto, o projeto Ligue os Pontos encontrou, por exemplo, uma situação na zona sul onde uma Casa de Agricultura estava literalmente caindo estruturalmente, interditada, com poucos técnicos, sem instrumentos para trabalhar.

Um lugar onde a política existe mas precisa ser fortalecida. Onde precisamos desenvolver a visão de que os nossos agricultores da cidade tem uma característica muito peculiar.

No Cinturão Verde temos agricultores orgânicos maiores e mais estruturados, aqui na zona sul a agricultura é muito frágil, é um território de muita vulnerabilidade social. Havia muito pouco conhecimento sobre esse território e o que estava acontecendo ali.

Precisávamos conhecer mais este território, então fizemos um levantamento de censo que resultou na informação de que muitos agricultores ganhavam menos de mil reais por mês com a agricultura. Durante os questionários uns pediam trator, outros enxada.

Um grupo bem heterogêneo, com suas necessidades de muito apoio, objetivo do projeto. A oportunidade de ter tido um recurso internacional com alguma autonomia após o prêmio, possibilitou um plano de ação com aporte para o território, o que resultou num ganho muito grande de desenvolvimento de tecnologia e em como, de fato, conseguimos atuar ou desenvolver métodos e estrutura.

Também fizemos cartografia, censo dos agricultores da zona sul, fizemos ainda um levantamento lindo da agricultura Guarani que tem uma grande parte da zona sul como aldeias.

Percebemos com o censo que as nossas perguntas não funcionam para eles, porque há uma outra lógica de produção.

Propriedade de Rogério dos Santos Oliveira está em transição agroecológica Foto: Thiago Benedetti

Fizemos um levantamento florístico da terra indígena em parceria com o Herbário Municipal e um esforço muito grande em reunir todas essas informações que foram muito úteis no desenvolvimento do projeto para que pudéssemos tomar decisões e entender um pouco mais, confirmando algumas hipóteses em relação ao público que estávamos lidando e suas necessidades.

Deixamos um legado para as políticas públicas e para outros projetos que venham a atuar nesses territórios, de muita informação com dados abertos disponibilizados no GeoSampa e na plataforma Sampa + Rural.

Fizemos gestão do conhecimento, saíram a pouco dez publicações do projeto que falam sobre grupo de consumo responsável, relatórios, plataformas num foco de replicação e de que esse experimento possa ser expandido e continuado na cidade, mas também de que possa beneficiar outras cidades e outros estados.

Na parte de fortalecimento da agricultura, eixo principal do projeto, com foco na porteira para dentro, contratamos sete técnicos de campo extensionistas que atendiam com regularidade 150 agricultores orgânicos e convencionais para instaurar as boas práticas. Trabalhamos com um check list, que são várias perguntas desde a gestão da propriedade até a parte de produção e organização de venda.

Adaptamos o processo do protocolo de transição agroecológica para o nosso contexto e para abraçar os convencionais também. Trabalhamos periodicamente essas perguntas para compreendermos a evolução desses agricultores nas boas práticas.

Para quem não queria fazer a conversão para agricultura orgânica certificada ou para transição agroecológica, trabalhamos nas boas práticas ambientais, nas melhorias tanto em termos de produção quanto impacto. Tínhamos uma meta para que eles aumentassem a nota de boas práticas, da conversão para orgânico e transição agroecológica. Saímos de 34 para 70 pessoas em transição e certificações.

Criamos quatro CSA com o apoio do projeto.

O foco era ajudar esses agricultores a fazer a conversão, o nosso primeiro CSA foi com a equipe da prefeitura, Marcelo e Fabiana, que iniciaram convertendo 10% de sua área para fazer a transição agroecológica. Logo decidiram fazer com todo o território, certificando-se com transição e passando a ser IBD certificados orgânicos por inteiro.

Essa transição é difícil, fazer a conversão sem saber se vai ou não vender exige um mecanismo de incentivo. A Assistência Técnica neste eixo de fortalecimento da agricultura foi o pilar principal do projeto, o acompanhamento muito próximo a esses agricultores com vários instrumentos como técnicos com carro, computador, material de trabalho e insumos orgânicos. Fomos de fato para a prática.

A ideia é que os agricultores visitem uns aos outros e troquem experiências. Quando chegou a pandemia tivemos que interromper a assistência presencial, tentamos seguir com remoto na sequência, mas percebemos que não funcionava muito bem.

Fizemos então, depois de muitos meses, protocolos de visitas com distanciamento e apenas duas visitas por dia, pensando que este é um serviço essencial.

Para fortalecer a Casa de Agricultura Ecológica da zona sul, apoiamos uma reforma, compramos mobiliário, equipamentos, fizemos galpão para guardar esses equipamentos e os insumos.

Tivemos uma atuação na cadeia de valor que foi a ligação e fortalecimento dessas conexões para além do agricultor, colaborando com outros elos dessa cadeia.

As parcerias

Trabalhamos durante o projeto articulando as secretarias. Acredito que essa é uma inovação na forma de trabalho. Muitos começam um projeto novo desconsiderando tudo o que já aconteceu.

O Ligue os Pontos nasceu com a ideia de trabalhar em conjunto.

Somos sediados na Secretaria de Urbanismo e Licenciamento e trabalhamos em parceria com as secretarias de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, das Subprefeituras, do Verde e do Meio Ambiente, de Relações Internacionais, da Educação, da Saúde e de Governo.

Parte dessas secretarias compõe o Comitê de Governança do projeto. Foi bem importante reunir os secretários num comitê que envolvia o gabinete do prefeito.

As decisões máximas poderiam ser tomadas e destravadas nesse comitê. É muito difícil fazer política pública articulada e o projeto foi bem sucedido nisso também.

Uma lição bem legal de que é possível fazer junto, e de que uma política precisa viver com a outra, não conseguimos sozinhos dar conta de todos os problemas.

O primeiro coworking rural

O Teia Parelheiros é um coworking público municipal, como vários que já existem pela cidade. Nós apoiamos este que foi o

primeiro coworking rural de São Paulo, fica num parque em Parelheiros e possibilita o acesso a internet e ao computador que muitos agricultores não têm.

O Teia é o lugar de acesso ao conhecimento, com apoio ao empreendedorismo e fomento de negócios.

No mesmo parque apoiamos a escola de agroecologia municipal.

Trabalhamos ao lado da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, compramos com recursos do projeto móveis e equipamentos e participamos dos grupos de trabalho, fizemos várias vitrines de técnicas para que as pessoas pudessem utilizar este conhecimento.

Vitrines de saneamento de águas cinzas com bananeira, coleta de água, criação de abelha nativa, banco de sementes, entre várias outras práticas interessantes. A escola é um legado muito importante para a cidade.

Nos alimentamos de alimentos que vêm de fora de São Paulo, quando nós temos muitos aqui dentro.

Tivemos um curso de cogumelos da Mata Atlântica que foi incrível, essa é a nossa biodiversidade, o que está ao nosso redor.

Quanto aos CSA, foram 4 com o foco na transição, apoiando agricultores a experimentarem esse processo. Dois deles são CSA populares, proporcionamos acesso.

Pegamos o alimento orgânico e levamos para duas comunidades de maior vulnerabilidade, para isso fizemos um arranjo onde o preço fica acessível, incluindo a parceria com organizações que subsidiaram o valor de parte das cestas em alguns períodos. Tem sido bem interessante promover o acesso porque se trata de uma reeducação alimentar, uma possibilidade de que isso não fique somente para as zonas ricas, queremos que o acesso seja para todos.

Fizemos a aceleração com Ade Sampa, uma capacitação empreendedora para mais de 200 pessoas em várias fases e depois disso fizemos um edital de seleção de oito negócios locais para acelerar.

Para esses oito pequenos negócios acelerados, foi entregue um prêmio de R$35 mil com um acompanhamento por seis meses.

Tivemos vários negócios contemplados entre agricultores, um de cicloturismo e uma plataforma digital. Percebemos que a aproximação entre os atores da cadeia realmente gera oportunidades, demandas, grupos e projetos, saindo todos com mais capacidade de atuar nesse ecossistema.

A multiplicação do acesso ao projeto

Existe nesse processo uma visão, tanto da financiadora quanto da prefeitura, de que esses conhecimentos e práticas podem chegar a mais pessoas.

Nesse sentido, fomos identificando oportunidades e necessidades comuns e caminhando junto com outros lugares que querem levar as ideias ou a troca de conhecimento a partir das ferramentas. Isso é bem interessante para um ganho mútuo.

Quando alguém está usando a nossa plataforma SisRural apenas em São Paulo, ele tem uma força. Quando ele está sendo usado aqui e no Paraná Mais Orgânico, que é o maior programa de certificação orgânica do país, ele ganha outra força, até para o que estamos fazendo aqui em São Paulo.

A nossa ideia é criar uma comunidade de troca de conhecimento, o sistema é importante mas ele também fomenta outros tipos de ganhos mútuos que são muito bons.

Imagens de arquivo do projeto Ligue os Pontos

Aplicação usa código aberto e está disponível para replicação por outros entes interessados - Sisrural, o sistema que visa apoiar políticas públicas de desenvolvimento rural sustentável e de preservação ambiental

Dentro do projeto percebemos que não tínhamos ferramentas para assistência técnica rural no município. Um técnico tinha uma ficha em papel, o outro nem anotava, nada era estruturado. Surgiu então a necessidade de criarmos uma ferramenta.

Quando entrei no projeto em 2019 isso era uma ideia e a partir dali recebi a missão de concretizá-la. Montamos uma pequena equipe de três pessoas internas. Em minha trajetória de políticas públicas, não é sempre que temos um recurso desse.

Poderíamos fazer um sistema pequeno que atendesse apenas a necessidade pontual, mas isso não daria nem sustentabilidade para esse sistema e nem aproveitaria a potencialidade de se ter um financiamento. Conversamos muito com os técnicos de campo, os gestores das políticas públicas e já estávamos trabalhando com o governo do estado através do protocolo de transição que tem uma equipe muito engajada. Muito cedo percebemos que eles também não tinham um sistema.

Embora no governo do estado a Secretaria da Agricultura e Abastecimento seja tradicional e muito forte com centenas de sistemas, para a assistência técnica e para a transição agroecológica eles estavam usando o excel. Muito mais estruturados do que nós porque eles já usavam dados, tinham uma sistemática de informação, mas não tinham um sistema adequado também.

O SisRural nasceu com a visão de que poderíamos usar juntos o sistema, fizemos todo o processo em conjunto com os técnicos do estado de São Paulo e muito próximos da nossa experiência com nossos técnicos que perceberam em campo que ferramentas de fato ajudariam, que tipo de dificuldade estavam enfrentando com os instrumentos que estávamos usando naquele momento no projeto.

Criou-se então uma plataforma que procura ser muito simples de usar, mas que ao mesmo tempo, entrega muitas ferramentas de campo que podem ser utilizadas por muitas políticas simultaneamente.

Temos um cadastro único de agricultores dentro do sistema, todos ajudam a mantê-lo atualizado, mas também tem autonomia para criar seus próprios instrumentos, fluxos de aprovação das políticas que precisam, check list, o protocolo de transição agroecológica com check list com pontuação, é possível montar qualquer tipo de formulário para coleta de dados ou indicadores.

A plataforma tem um resultado bem interessante tanto para o registro de histórico de atendimento, um perfil de cada produtor com todos os atendimentos que aconteceram ali, qual é o atual uso de solo, a sua trajetória, que recomendações foram dadas, fotos da propriedade, assim como todos os instrumentos que foram entregues à ele.

A gestão de dados georreferenciados em mapas facilita tanto para os gestores de políticas públicas que conseguem entender melhor seu território, quanto para viabilizar o trabalho dos extensionistas.

Fizemos o sistema pensando em quatro políticas públicas, duas municipais (a ATER municipal, pagamentos por serviços ambientais municipal que ainda não está rodando mas está com tudo para começar) e duas estaduais, protocolo de transição agroecológico e Protocolo de Boas Práticas Agroambientais do governo do estado.

Em novembro de 2020 assinamos um termo de colaboração e neste semestre de 2021 iniciamos a implantação e o sistema está sendo utilizado em todo o estado pelos técnicos de assistência estaduais e passou a ser ferramenta oficial do protocolo de transição agroecológica.

É desafiador porque é uma mudança de cultura.

O SisRural tem também um aplicativo porque muitas regiões das zonas rurais não têm internet e precisávamos da utilização em campo com todas as ferramentas sem acesso a internet.

O SisRural tem o módulo de relatórios web que traz parte dos relatórios, mais todas as ferramentas com banco de dados comum. Temos um arranjo bem interessante de um comitê gestor onde as decisões sobre o sistema são tomadas de forma paritária entre o estado e o município.

Nós desenvolvemos e o estado está fazendo a hospedagem, manutenção e suporte. O sistema é todo em código aberto e está disponível para qualquer um que queira pegar, baixar, instalar e utilizar.

Ligue os Pontos e Paraná Mais Orgânico,

juntos por um Brasil mais saudável

Nessa parceria com o protocolo de transição a equipe nos colocou em contato com o Paraná pois estão discutindo sobre a adoção do protocolo agroecológico lá. Entramos em contato com o Programa Paraná Mais Orgânico, que tinha a mesma questão que enfrentamos: a de não ter um sistema.

Estamos em pleno processo através de um termo de cooperação assinado no começo do ano. Foram feitas muitas trocas, eles estão instalando o SisRural lá, farão as adaptações convenientes, terão um sistema separado para adotar como sistema do Programa Paraná Mais Orgânico.

Além do sistema, fizemos um acordo para intensificar o apoio do governo para a agricultura do município, aumentando as nossas trocas, aumentando a incidência do estado para fortalecimento da agricultura aqui em São Paulo e no Paraná.

Prevemos inserir energia para conseguir essas trocas de conhecimento, pois eles tem muita vivência, muita técnica, muita experiência para nos ensinar, fortalecendo enquanto assistência técnica e enquanto processos, o nosso município.

Essa necessidade que tínhamos em São Paulo não era só nossa, uma situação de vários outros territórios do Brasil e estamos super abertos para fazer essas conexões e dividir esse conhecimento tanto para novos desenvolvimentos quanto para uso do sistema em si. "

NOTA DA REDAÇÃO

O Paraná Mais Orgânico é um programa de orientação a agricultores familiares interessados em produzir alimentos de maneira orgânica. O programa visa também à certificação do produtor de alimento orgânico no estado do Paraná.

O programa é uma parceria entre o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná-Iapar-Emater (IDR-Paraná), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, a Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e as instituições estaduais de ensino superior.

Os objetivos do PMO são ofertar serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural que estimulem a adoção de inovações tecnológicas baseadas na agricultura orgânica, apoiar a organização dos agricultores familiares nos processos de comercialização da produção orgânica e contribuir para a consolidação do estado como o de maior número de produtores orgânicos do país.

Quem pode participar são os agricultores familiares do estado do Paraná. O agricultor interessado deve entrar em contato com algum dos núcleos do programa.

Um técnico fará as ações de assistência técnica e extensão para adequar a propriedade. Depois do período de adaptação, é realizada uma auditoria. Se estiver em acordo com a legislação, o produtor recebe o certificado.

Para encontrar um núcleo acesse:

https://www.agricultura.pr.gov.br/Pagina/Parana-Mais-Organico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sampa é + Rural,

"Sabemos muito pouco de onde vem a nossa comida, quem produz e como produz"

Lia Palm continua nos explicando como foi consolidar a plataforma Sampa + Rural e o quanto ela significa para a cidade hoje.

"Como paulistanos conhecemos muito pouco o rural na cidade. Falamos em agricultura familiar e queremos saber quem são eles, onde estão, o que produzem, como eles vivem, do que precisam, o que eles podem nos ensinar.

O nosso foco para este projeto era inovação e há muitos tipos de inovação, mas a tecnologia sempre quer entrar. Foi um desafio grande para nós e se íamos fazer uma plataforma precisávamos descobrir o que era importante estar nela.

Esse rural de São Paulo é muito especial e inesperado para muita gente, é surpreendente.

Sampa + Rural tem a ideia de entregar visibilidade para os agricultores, para as zonas rurais

São Paulo está cercada de iniciativas rurais, elas estão em toda a parte e descobrir isso é surpreendente.

e trazer a importância dessas áreas para a cidade. Não é só a periferia da cidade, ela é central para a cidade, é necessária. Não somos o urbano e o rural, somos um só. Essas áreas não são um problema, são solução. Há muita ruralidade em São Paulo.

A plataforma é participativa, tínhamos muitas informações da zona sul mas queríamos contemplar a cidade toda.

Para isso, fizemos parcerias com outras secretarias e iniciativas da sociedade civil para reunir e atualizar dados que foram sendo incorporados na plataforma.

Por exemplo, a Sampa+Rural é integrada com o "Mapa de Feiras Orgânicas" do IDEC, um mapeamento maravilhoso que abrange o país inteiro.

Foi um Ligue os Pontos entre todos, trabalhamos juntos em várias iniciativas de coleta de novas informações.

Traz dados anonimizados de cerca de 750 agricultores existentes na cidade. Aqueles agricultores que optam por estar visíveis, passam a ter um perfil com informações disponíveis para conexões. Temos aldeias guaranis que produzem na zona norte e sul. Temos as hortas urbanas, muitas com atividades comunitárias e de lazer, com educação ambiental e alimentar. Também as hortas em equipamentos públicos.

Com o tempo as parcerias foram aumentando. Por exemplo, com o Programa Ambientes Verdes e Saudáveis - PAVS, da Secretaria da Saúde, que no trabalho de promoção e proteção da saúde inclui a instalação de hortas em UBS e outros equipamentos. A Secretaria da Educação também tem as hortas nas escolas.

Na Sampa+Rural estão ainda dados oficiais de feiras livres e orgânicas, assim como os restaurantes com orgânicos, entregas de orgânicos e serviços para a agricultura. Temos quem produz e quem comercializa essa produção, é importante que as pessoas conheçam estes lugares, afinal só valorizamos aquilo que vemos, que tocamos.

Incluímos então, os dois pólos de ecoturismo da cidade, Parelheiros e Cantareira. Além disso, a categoria vivência rural, que são agricultores que abrem suas propriedades para visitas, tanto do consumidor quanto das escolas. Temos também uma biblioteca com vários materiais e uma página de Dados Abertos disponível. 

Feira de alimentos do Projeto

Os selos de São Paulo que aproximam a população da plataforma Sampa + Rural

Lançamos a Sampa em 2020 e no começo de 2021 lançamos os selos.

A Sampa + Rural é a plataforma digital que reúne as informações e também os selos físicos espalhados por toda a cidade. Os selos são placas com um QR code que leva para a plataforma.

Os selos aproximam a população da plataforma, pois são colocados em todos os lugares que fazem parte do programa.

São dois selos, um para todos que estão na Sampa + Rural chamado “Nós fazemos a Sampa + Rural” e o outro para estabelecimentos que distribuem a produção local chamado “Aqui tem produção de Sampa”.

A continuidade do Programa

O projeto teve o aporte financeiro por ter ganho o prêmio em 2016. A virada de gestão em 2017 passou por momentos turbulentos até 2019. Em 19 a gestão que assumiu o projeto o fortaleceu. O financiamento acabou em junho de 2021.

Estamos num processo complexo para a prefeitura por tudo o que está acontecendo. Nossa expectativa é de internalização.

Há a necessidade de consolidação desse projeto, de inovações, metodologias, novas formas de se trabalhar com o rural na cidade. É um desafio bem grande para a prefeitura a partir de agora. Precisamos de mais extensionistas servidores públicos.

Os legados do projeto têm fundamentação e continuidade dentro da própria política pública, além da busca de novos financiamentos. "

Lia Palm se despede da nossa reportagem nos deixando uma mensagem contagiante.

"Estamos muito desconectados das nossas necessidades mais básicas e mais importantes, num processo muito pessoal fui fazendo um caminho de rever minha alimentação, do meu contato com a natureza e com as coisas que eram importantes para mim e naturalmente pelas vivências pessoais e de família esses assuntos me interessam. Estar no projeto foi um momento de encontro do profissional com o que eu realmente acredito e gosto.

É aqui que eu quero atuar, aqui é onde quero fazer a diferença. Para mim tem feito cada vez mais eco ter coerência em minha vida.

Como é que conseguimos trabalhar e dar nossa potência profissional, mas também fazer a nossa conexão pessoal?

O meu convite é para as pessoas participarem mais, e participar está no conhecer o outro, na amorosidade, no fazer junto.

Estamos vivendo um momento absurdo o que leva as pessoas para um desamparo absoluto, onde elas já não encontram mais nada ao

redor, uma desconstrução de tudo, uma desesperança.

Por outro lado tem muitas sementinhas sendo plantadas em todos os lugares.

Tem muito projeto interessante, muitas potências para participarmos a fim de que façamos a nossa parte e façamos com que nossas vidas tenham sentido aqui. Todo mundo faz parte de um elo, cada um no seu lugar.

Agricultores recebendo o selo Sampa + Rural e visita em campo das escolas da cidade

Neste momento como servidora gostaria também de deixar uma mensagem para que valorizemos o servidor público. Há uma imagem de que o servidor não trabalha, mas é muito fácil dizermos isso quando temos esse serviço funcionando.

Quando falta o trabalho do servidor é que percebemos o quanto precisamos, quando estamos fragilizados é quando percebemos o quanto nos falta.

Existem muitos ataques à instituição pública e um deles é a desconsideração, frases como “não importa”, “nunca vai dar certo”, “não adianta nada”...

Temos muitos problemas, mas também temos muitas soluções.

Precisamos valorizar o setor público, as políticas públicas, precisamos entender os nossos direitos. Precisamos buscar esses direitos que são muitos, para que eles não possam ser atacados, esfacelados e de fato, não existirem mais.

Nesse momento como servidora é importante dizer isso. Tem muito a ser feito.”

Ligue os Pontos!

 

Dados Abertos

*Base completa Sampa + Rural

*Agricultores com contato - SisRural

*Agricultores da cidade de São Paulo

*Agricultores receptivos em "vivência rural" - Sampa + Rural

*Hortas Urbanas e Hortas Equipamentos Públicos - Sampa + Rural

*Aldeias indígenas Guarani - Sampa + Rural

*Parceiros da produção local - Sampa + Rural

*Mapa de feiras orgânicas - IDEC

*Feiras livres municipais - Geocampa, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano

*Restaurantes orgânicos , Entregas de orgânicos e outras bases de Mercados- Sampa + Rural

*Serviço para Agricultura - Sampa + Rural

*Atrativos turísticos dos Polos de Ecoturismo - Secretaria Municipal de Turismo

*Iniciativas e Políticas Públicas - Sampa + Rural

*Pontos de doação - SP Cidade Solidária

Conheça mais em:

https://ligueospontos.prefeitura.sp.gov.br

https://sampamaisrural.prefeitura.sp.gov.br

 

A equipe do Ligue os Pontos

Os servidores a frente do projeto

Fernando Leme, Assistente de Gestão de Políticas Públicas. Atua nas atividades administrativas do projeto e apoia aspectos jurídicos.

Janaina Oliveira, Arquiteta e Urbanista. Atua nas frentes “Cadeia de Valor” e “Dados e Evidências” e em atividades de gestão do projeto.

Lia Palm, Analista de Políticas Públicas e Gestão Governamental. Atua nas frentes “Fortalecimento da Agricultura”, “Cadeia de Valor” e “Dados e Evidências”, coordena o desenvolvimento e implantação das plataformas Sampa+Rural e do SisRural e atua na gestão do projeto.

Patrícia Sepe, Geóloga. Coordena a frente de “Dados e Evidências” e atua na gestão do projeto.

 

Consultores que atuaram no projeto

Amélia Sert, Analista de Tecnologia. Atuou no desenvolvimento da plataforma de conexão Sampa+Rural e do SisRural.

Anna Kaiser Mori, Arquiteta e urbanista, Idealizadora do projeto, coordenou a frente “Cadeia de Valor” e atuou na articulação e gestão do projeto.

Bruno de Assis Janini, Assistente de Políticas Públicas. Atuou na moderação da Sampa+Rural, no apoio ao desenvolvimento e implantação das plataformas Sampa+Rural e do SisRural.

Gabriela Momberg, Designer - Arquiteta e Urbanista. Colaborou com ações de engajamento e comunicação do projeto, através do desenvolvimento de material gráfico para web e publicações.

Lucas do Vale Moura, Analista de dados. Atuou nas frentes “Fortalecimento da agricultura”, “Cadeia de Valor” e “Dados e Evidências”, oferecendo suporte à produção de materiais, cartografias e metodologias para coleta, análises, estruturação e consolidação de bancos de dados.

Marcela Ferreira, Arquiteta e Urbanista. Atuou na equipe de gestão do projeto.

Mathews Vichr, Arquiteto e Urbanista. Atuou nas frentes “Fortalecimento da agricultura”, “Cadeia de Valor” e “Dados e Evidências”, no desenvolvimento e implantação das plataformas Sampa+Rural e do SisRural, em ações relacionadas a ATER e na gestão do projeto.

Nicole Gobeth, Engenheira Florestal. Atuou como gestora do projeto Ligue os Pontos.

Pedro Ramos, Assistente Administrativo - Engenheiro de Produção. Atuou nas atividades administrativas do projeto e no apoio à gestão do projeto.

Taís Tsukumo, Arquiteta e Urbanista. Atuou na equipe de gestão do projeto.

Equipe de Campo

Aieska Marinho, Articuladora Territorial - Pedagoga. Atuou na frente “Cadeia de Valor”, promovendo a mobilização e o engajamento da comunidade local com os eventos do projeto e no acompanhamento dos negócios acelerados.

Arpad Spalding, Articulador Territorial - Geógrafo. Viabilizou a articulação entre grupos e atores envolvidos na “Cadeia de Valor” da agricultura, atuou na abertura de oportunidades e realização de conexões para o fortalecimento dessa cadeia.

David Ferreira Jr., Coordenador técnico de ATER - Engenheiro Agrônomo. Atuou na frente de “Fortalecimento da Agricultura”, prestando assistência técnica a agricultores que aderiram ao projeto.

Domingos Pereira, Articulador Territorial - Sociólogo. Atuou na mobilização e engajamento no território, promovendo a participação pública e parcerias institucionais junto às diversas frentes do projeto.

Francisco dos Santos Ferreira, Técnico de ATER - Engenheiro Agrônomo. Atuou na frente de “Fortalecimento da Agricultura”, prestando assistência técnica a agricultores que aderiram ao projeto.

João Vitor Carmezini, Técnico de ATER - Engenheiro Agrônomo. Atuou na frente de “Fortalecimento da Agricultura”, prestando assistência técnica a agricultores que aderiram ao projeto.

Jonatas Santos Pereira, Assistente de ATER - Biólogo. Atuou na frente de “Fortalecimento da Agricultura”, apoiando as ações de campo.

Mauro Kayano, Técnico de ATER- Engenheiro Agrônomo. Atuou na frente de “Fortalecimento da Agricultura”, prestando assistência técnica a agricultores que aderiram ao projeto.

Paula Martins de Freitas, Técnica de ATER - Engenheira Agrônoma. Atuou na frente de “Fortalecimento da Agricultura”, prestando assistência técnica a agricultores que aderiram ao projeto.

Robson Miranda, Analista de campo - Engenheiro Ambiental e de Segurança do Trabalho. Apoiou a coordenação da equipe de ATER na frente “Fortalecimento da Agricultura”.

Ronaldo Azarias, Técnico de ATER - Técnico Agrícola. Atuou na frente de “Fortalecimento da Agricultura”, prestando assistência técnica a agricultores que aderiram ao projeto.

Rubia Toledo, Técnica de ATER - Técnica Agrícola. Atuou na frente de “Fortalecimento da Agricultura”, prestando assistência técnica a agricultores que aderiram ao projeto.

Tiago Gomes, Técnico de ATER - Engenheiro Agrônomo. Atuou na frente de “Fortalecimento da Agricultura”, prestando assistência técnica a agricultores que aderiram ao projeto.

Vicente Coffani, Técnico de ATER - Engenheiro Agrônomo. Atuou na frente de “Fortalecimento da Agricultura”, prestando assistência técnica a agricultores que aderiram ao projeto.

Créditos das imagens: Ligue os Pontos

 

 

 

 

 

 

 


Agricultura orgânica, as lições que a natureza nos dá - A história do homem incansável que leva o progresso e a transição às propriedades agrícolas brasileiras, sua trajetória já é patrimônio nacional

Queiroz promovendo a transição no guaraná Ambev de convencional para orgânico, no Brasil

Agricultura orgânica, as lições que a natureza nos dá - A história do homem incansável que leva o progresso e a transição às propriedades agrícolas brasileiras, sua trajetória já é patrimônio nacional

por Kátia Bagnarelli, exclusivo para Jornal Onews

 

Valdecir Queiroz é técnico em agropecuária, especialista em agricultura orgânica e biodinâmica pelo instituto ELO de Economia Associativa de Botucatu, em São Paulo.

Tem mais de vinte anos de experiência com agricultura orgânica, ministrou mais de cem cursos em agricultura orgânica no Brasil e no exterior.

É sócio fundador e atual diretor do Instituto Brasil Orgânico para região nordeste e diretor da empresa Terra Ecológica Consultoria em agricultura orgânica.

Querido por onde passa, ele carrega a missão da transformação do ser humano e do solo. Nossa equipe finalizou a entrevista contagiada e engajada por este movimento natural de transformação liderado por ele no Brasil.

A seguir seu relato em primeira pessoa. Aproveite a leitura.

 

"Eu nunca havia pensado em agricultura, jamais. Em minha família minha mãe criou a mim e uma irmã, e ela trabalhava, lavava roupa para fora para nos criar. Quando eu tinha 14 pra 15 anos entrei no seminário para ser padre.

Minha ideia era servir. Tinha o sonho de ir para a África trabalhar com índios, coisas desse tipo, porém jamais pensei em agricultura. Nunca!

Porém, quando ainda estava no seminário, a Souza Cruz beneficiava fumo para o agricultor plantar numa região do Rio Grande do Norte, um grupo de freiras que representava os produtores identificou que tinham muitos peixes morrendo no açude.

O padre mandou-me fazer um curso no Centro de Capacitação Católica em Pernambuco para que eu pudesse resolver aquilo. Quando fui estudar, tive como minha professora Ana Primavesi.

O primeiro curso que fiz com a professora Primavesi foi microbiologia de solo, foi mais ou menos uma semana ao lado dela, pela manhã e pela tarde.

Quando voltei fui pesquisar os peixes e descobri que morriam porque os agricultores colocavam veneno para formiga na plantação de fumo, o veneno ia para dentro do açude e matava os peixes. Comecei então a gostar um pouco de agricultura.

No colégio em que estudei, onde tinha muitos amigos, no estado do Rio Grande do Norte, eu queria fazer geologia porque meu avô uma vez cavando um poço numa região, descobriu as pedras lá no fundo, era uma espécie de caverna.

Ele me contava essa história quando era pequeno e fiquei louco para ser geólogo para estudar pedras e solos.

Aos 18 pra 19 anos eu fui fazer curso de geologia mas quando cheguei na escola tinha acabado a inscrição. Tinha ali, entretanto, um colégio agrícola, fui prestar. Éramos eu e mais seis pessoas, o único que passou fui eu.

Depois disso terminei o colégio agrícola e fui o único aluno que nunca saiu de férias. Eu estagiava dentro do colégio.

Há uma história interessante deste meu período no colégio agrícola, que foi quando ganhei o primeiro carro da minha vida.

No ano de terminar, faltando quatro meses, eu já tinha algumas notas e faltavam outras, e apareceu um curso para fazer de mecanização agrícola dentro da usina que era do governador do estado.

Por acaso eu era presidente de classe, presidente do centro cívico, representante na UNE e presidente da Cooperativa e eu sempre gostei muito de ajudar, ajudava muito e a todos, estava em minha índole, servir. Eu não pensava no meio ambiente, não tinha isso em minha cabeça ainda.

Comecei a fazer o curso na usina, e no último

período, o canavial pegou fogo. O gerente agrícola da usina estava lá avaliando a quantidade de açúcar (ATR). Quando se bota fogo num canavial antes de produzir, ao chegar na idade de maturação ele não apresenta muito teor de açúcar e o rendimento por hectare é muito pequeno. E então aquilo tudo pegando fogo bem ao lado de uma área nova. Todos, diretor e funcionários tentando apagar aquele fogo sem sucesso. Não sei o que me deu na cabeça, peguei e cortei a cana verde no início e o fogo não passou para dentro da propriedade nova. Quando fiz isso, me chamaram de maluco porque estava quase me queimando os cabelos. Não deixei o fogo passar para outra cana que era nova e quando terminei todo mundo ficou feliz, e o diretor comentou que foi um trabalho bonito, que nunca tinha visto isso. Me perguntou se não queria estagiar na usina.

Respondi que nem havia terminado os estudos e ele disse que quando terminasse era para procurá-los. Foi uma ação tão fantástica que todo aluno que terminava o curso técnico agrícola tinha o sonho de trabalhar na usina, pois era uma grande empresa e a única desse porte.

No dia seguinte estávamos numa caminhonete pequena com os instrutores dentro e fomos parados por um carrão enorme. Desceu do carro o governador do estado que era dono da unisa ao lado do filho, perguntando para o nosso instrutor:

-Quem é Valdecir Queiroz aí?

Pensei no que eu poderia ter feito de errado. Me mandaram descer, desci calado e apreensivo. Ele disse:

-Julio me falou o que fez. Eu quero que venha trabalhar comigo.

Eu disse que em dezembro eu terminaria o curso e iria.

Ele disse que não, queria que eu fosse trabalhar com ele no dia seguinte. Tinha por volta de 21 anos.

Quando cheguei na porta do colégio no dia seguinte, estavam a diretora, o secretário de educação do estado, mais um pessoal me esperando com meu diploma, minha carteira de trabalho que eu nem ainda tinha, dizendo que no dia seguinte eu tinha que me apresentar na usina.

Na hora que ele me chamou pra trabalhar eu perguntei se ele não tinha como levar meu amigo junto, ele disse:

- Traga ele!

Fui para a usina, comecei a trabalhar. Eles tinham comprado 50 tratores novos e estavam dando aulas de tratorista e direção defensiva.

O diretor geral me inseriu no trabalho com os tratoristas que já tinham 20 anos de usina para ficar com os

tratoristas novos, cortando a cana nos canavieiros. Moral da história, em três meses eu já havia aprendido toda a mecanização da maior usina do estado.

A partir dali fiquei um ano trabalhando de dia e de noite, fui o único técnico que entrou na empresa com uma moto, um carro e uma casa.

Eles me deram tudo isso pra trabalhar com eles. Era uma empresa grande, dormia meia noite e acordava às três da manhã todos os dias.

Foi neste período que minha mãe adoeceu, minha mãe trabalhava na cozinha do Seminário em Mossoró, já estava ficando velhinha com alguns problemas, no final deste ano eles queriam que eu continuasse, mas me cansei e fui trabalhar para a UNICEF no mesmo açude dos peixes do passado quando fiz o curso com Primavesi.

Fiquei ali seis meses, minha mãe faleceu, fui trabalhar então na Cooperativa. Entrei na universidade, de 89 para 90. Prestei para Agronomia e passei.

Entrei na faculdade, eu não podia me sustentar, minha mãe havia falecido, um dos meus professores me indicou trabalhar numa empresa que me garantiu que se eu trabalhasse lá não me faria falta a faculdade pois iriam contratar os maiores especialistas do mundo.

Tinha muita gente realmente, eram 8 agrônomos de São Paulo. Entrei como técnico, coordenei uma área de uva pequena, um ano tomava conta da manga, e essa foi outra história que me rendeu outro carro…

Tive os melhores professores. Passei cinco anos nessa empresa e eu queria muito fazer algo a mais, mas não consegui. Saí de lá de 95 para 96.

Fiz o curso de biodinâmico com um professor da universidade da Alemanha que veio para Botucatu, eu já estava trabalhando no Incra com projetos de assentamento. Naquela época o curso biodinâmico custava mais de mil reais. O Incra e uma Fundação brasileira pagaram 80 mil reais para trazer o curso de biodinâmico para o nordeste. E o Incra tinha algumas vagas para sorteio, mas eu não fui sorteado.

Minha esposa Eulália que já trabalhava comigo (temos 25 anos de casados, 3 filhos) cogitou vender as coisas de casa para pagarmos o curso.

Entretanto não vendemos e eu fui, escute só. Quando cheguei em Fortaleza, havia quarenta pessoas neste módulo que envolvia o Banco do Nordeste. Como eu não tinha dinheiro pedi ajuda ao diretor (que era Richard Charity) que me indicou outro diretor para negociar. Consegui pagar em 12 cheques.

Queiroz com a esposa Eulália e os três filhos

Primavesi estava lá também e foi nossa professora. No quinto dia do curso, tive um insight e disse para Richard que achava que eu era o mais burro da turma porque enquanto todo mundo estava vendo bruxaria no biodinâmico, eu via diferente.

Dos quarenta que fizeram o curso eu sou o sobrevivente do campo.

Fui o único a fazer melão orgânico no Brasil e na América Latina, em 2000 ninguém acreditava que dava pra fazer melão orgânico.

Fizemos em Petrolina, depois disso montei minha empresa de consultoria e comecei a fazer o trabalho com manga, com uva, com o melão entre outras frutas.

Em 2006 fui para o Equador trabalhar com a Odebrecht, fazendo consultoria para manejo orgânico. Quando eu voltei um grupo de mulheres me procurou, que era o pessoal que auxiliava o Maharishi, o guru dos Beatles.

Era ainda uma agricultura mais pura, a que eles praticavam. Conheci o pessoal da Fundação Mokiti Okada também neste período.

Começamos então a trabalhar todo o manejo, hoje misturo o manejo de Mokiti Okada que é o da agricultura natural e da agricultura orgânica além do manejo de agricultura biodinâmica. Estou trabalhando também neste momento a agricultura eco inteligente.

Neste mesmo período Richard estava indo para Alemanha, me ligou e disse que tinha que ministrar um curso no Rio Grande do Norte para quarenta agrônomos.

Me enviaram uma planilha com os assuntos. E então me convidou para trabalhar com ele e, lógico que fiquei lisonjeado, mas sempre achei que não sabia de nada, embora tivesse feito o curso de biodinâmica com os melhores. Aceitei e cheguei ao Rio Grande do Norte com aquela planilha nas mãos. Eram quarenta senhores, não havia uma mulher, somente homens.

Pensei comigo, o que é que vou fazer? O curso era de uma semana. Uns assuntos eu até dominava, então comecei a rezar. Chegou meia noite, eu não conseguia dormir. Já tinha ministrado algumas palestras, mas desta vez era para sujeitos que tinham doutorado.

Pensei, Meu Deus, o que eu faço? Sempre rezo, tenho muita fé e não perco essa minha fé. Rezei e depois da meia noite me veio uma ideia.

Dormi bem, acordei bem, comecei a mudar tudo. Reformulei o curso todo. Criei um curso vivo. É o mesmo curso que ministro hoje e é para todos.

Pessoas que não entendem nada de orgânicos, retiro o curso de dentro delas, sem lhes entregar nada de fora. Isso tem mudado muita gente.

O solo vivo nos copinhos durante o curso
Queiroz e os agricultores em transição

A missão

Conheci a minha missão quando, em 2008, Richard me convidou para ser professor do curso de biodinâmica para uma região do Ceará. Fiz Richard chorar nesse curso.

Acredito muito no mundo espiritual. Eram doze palestras e fui intuído a falar do meu jeito.

Peguei parte do Steiner de biodinâmica, comecei a ver as palestras dele e elaborei as minhas do meu jeito, a partir daí. Neste curso tinham seis agrônomos de Pernambuco e de outros lugares do Brasil, além de três professores que eu conheço muito bem e que entendem bem mais do que eu.

Quando estávamos reunidos eles disseram que só estavam ali porque era Queiroz que iria ministrar. Comecei o curso diante de um mato, levei todo mundo para lá.

Richard chorou e disse que não pensava daquela maneira, os outros alunos ficaram calados e depois mencionaram que a biodinâmica era exatamente o que estava lhes dizendo. Steiner não queria que a biodinâmica ficasse para trás, velha. Nós mudamos, o mundo mudou.

E eu consegui levar essa atualização no entendimento. Naquele momento pensei que havia uma missão para mim, eu fiquei melhor depois disso, porque tinha muito medo de não conseguir passar o que eu tinha a meu favor por não ter uma linguagem bonita.

A criatura que está nesse planeta desde o início é a natureza, Primavesi me ensinou. Se tivermos a mínima sabedoria para observar, vamos aprender.

Hoje levo o mesmo curso para qualquer pessoa, seja quem for. Quando entro numa região, por exemplo, a primeira coisa que tento fazer é treinar as pessoas para entender a linguagem.

Tenho 54 anos e faz 21 anos que ministrei esse curso, sem esperar o reconhecimento de ninguém, você precisa fazer porque você quer fazer.

Ceará, Parnaíba, Maranhão, treinei técnicos e agrônomos de Roraima, fiz vários projetos no Amazonas e São Paulo. Fiz muitos cursos de graça para muitos produtores e para muitas outras pessoas, nunca cobrei muito, o que possibilitou a muitas pessoas participarem. Eu queria que as pessoas começassem a ver a agricultura e a natureza de forma diferente.

Se você faz o mal ele volta para você, essa lei existe. O que precisamos é gerenciar o tempo que temos nesse plano. Coloque sua vida de 0 a 80 anos, o que temos para entregar?

Quem vai lembrar de nós se não deixarmos um pouco do nosso coração aqui, se não nos doarmos?

Eu não quero apenas ser lembrado, quero que o que eu saiba, continue. Temos várias regiões onde tem gente fazendo isso. Estar o tempo todo entregando algo a alguém é importante, o dia a dia é cansativo, por mais feliz que você seja precisa de alguém para caminhar.

O que precisamos para mudar o mundo é isso, energizar as pessoas. Umas às outras. O bem tem que ser propagado de várias maneiras, tem de ser propagado com a essência, com a aparência, com tudo. As pessoas gostam do bom. Cristo gostava do bom.

Se você tem amor, todas as coisas vem. Eu adoro mudar o ser humano, eu sei como é o meu planeta, sei o tamanho dele, sei o que tem aí fora, e o que tem aí fora é muito maior, tem muito mais gente, nós somos tão poucos, não é nada perto do que há fora do planeta.

Pegue uma mão de areia para ver quantos grãos consegue carregar, e veja como não é nada. Existem muitas coisas lá fora, mas temos que nos ater para o que precisamos cuidar que é este planeta e além dele cuidar de nós, da nossa alma e do nosso espírito, precisamos começar a trabalhar isso, para poder dizer que a nossa energia positiva vibrou positivamente nesse planeta.

Estamos amparados para conhecer melhores pessoas, passar melhores momentos para que possamos criar e ter mais força. Somos luz.

A nossa energia é uma energia universal, única, e nós vibramos. Hoje, para onde eu vá consigo criar produtos naturais para curar plantas.

Estou atualmente em contrato com a Ambev para certificar e montar o manejo de todo o guaraná que a empresa produz no Brasil. Todo o guaraná será orgânico.

Guaraná em processo de transição para orgânico

Educação

Tem muita gente nos orgânicos que olha apenas numa linha reta e o mundo é um caos maravilhoso, é uma mistura de tudo.

Educação é a base, educação espiritual e pessoal, educação do corpo e educação tecnológica. Não existe futuro nem passado, tudo é só o presente.

Nós é que inventamos o futuro e o passado. Temos que fazer parte do ciclo natural agregando a tecnologia, mas temos que começar com a orientação infantil como diz Augusto Cury, temos que tirar a escravização das crianças. Elas precisam de orientação para que sejam nosso futuro, senão estaremos perdidos, pois só temos um planeta.

As pessoas inteligentes deste planeta e os políticos parecem que não entendem. Nós só temos um planeta, uma água, um solo.

Nossos minerais estão se acabando. Chineses e muitos outros povos estão saindo do planeta à procura de vida porque sabem que aqui está acabando.

Precisamos refletir e começar a reciclar água, a respeitar a produção passando a produzir um quilo de feijão de forma natural do mesmo jeito que se produz um quilo de convencional.

Tudo é educação. Uso em meus cursos uma linguagem simples porque essa é a linguagem da natureza. Quem somos nós para sabermos mais do que esse planeta.

Cajú orgânico

Vivemos num mundo cíclico. Tudo vai voltar para nós. Mudamos a geografia do mundo todo a nosso bel prazer. Nós mudamos a estrutura dinâmica dos seres, não estamos preocupados, achamos que não precisamos da natureza. Nossa mente é pequena, deveríamos ter mais sabedoria.

Há muita gente inteligente que não tem sabedoria alguma. Somos a continuação desse planeta. O presente é contínuo. O presente precisa ser uma base boa para quem vem depois.

Eu optei pela missão de “fazer pessoas”. O curso que eu ministro é um curso vivo.

Qualquer curso que eu faço transforma as pessoas que participam. Temos que mostrar que todos nós somos especiais.

O sol brilha para todo mundo, a água é para todo mundo. Temos que fazer esse crescimento chegar. Todos os termos são necessários, mas precisamos da linguagem simples da natureza que já está presente em nosso DNA. Nosso DNA é como se fosse um HD gigante que guarda todas as informações. Você vai saber que você sabe. No decorrer do processo as pessoas concluem isso.

Eu fui treinar um pessoal no Maranhão por conta de um problema que aconteceu com um agrônomo, fui convidado para resolver.

Quando cheguei lá, todo mundo achou que eu ia fazer as coisas. Eu disse que não faria nada porque o importante ali eram eles.

Eles tinham que usar o conhecimento que eles tinham e achavam que não tinham. Eu fui o instrumento para que utilizassem seus próprios conhecimentos. Meu curso é interativo.

Começa numa sala e os alunos já vão para a Mata. Já no primeiro dia os alunos fazem um trabalho na sala, sentados no chão, pintando e brincando. No segundo dia os alunos precisam voltar para a natureza.

Durante três dias trabalhamos só sobre o solo, compreendemos que o solo é vivo. Os alunos entendem ali o porquê de determinadas coisas.

A partir do terceiro dia você vai praticar. Vai usar a força bruta. Vai fazer os produtos que se usa na agricultura em um hectare, aprender como se faz, por exemplo, combate à praga. O que é uma praga? Uma praga é um inseto.

E um inseto tem horário de dormir, tem horário de se alimentar. Se eu tenho que espantar um inseto, não vou colocar na hora que ele está dormindo escondido.

Aprendemos o momento em que ele se reproduz mais, e que neste período temos que nos prevenir, por exemplo. Como as doenças acontecem e como combatê-las o aluno também aprenderá.

Por exemplo, podemos combatê-la com leite, com vinagre, usamos em grande quantidade. As grandes indústrias já começaram a fabricar seus produtos desta forma.

Ao final, dependendo de onde eu ministrar, ainda tem a parte de mercado e certificação. O curso é sobre mudança de atitude. Faço as pessoas experimentarem a capacidade que elas mesmas têm.

Você precisa aprender o que é imitar a energia da natureza. Todos nós podemos criar. Uso isso em meus cursos.

O bem, mesmo que seja na maior escuridão, brilha se você conseguir ancorar ele. Essa é a minha meta com as pessoas. Se você tem fé, as boas energias fluirão para você.

Alunos de Queiroz, produtores buscando conhecimento na agricultura orgânica
Queiroz e agricultores alunos durante as aulas práticas

“Meu trabalho é uma missão muito prazerosa, cuidar do meio ambiente e desenvolver uma agricultura ecologicamente correta, economicamente viável e socialmente justa ”

São Francisco de Assis do Piauí

Estamos no terceiro módulo do curso prático de agricultura orgânica no semiárido do nordeste, na cidade de São Francisco de Assis do Piauí, Projeto José do Egito.

Trata-se do treinamento para produção orgânica no sequeiro. 800 famílias serão contempladas com a iniciativa da fraternidade São Francisco de Assis.

Foram distribuídos vinte micro tratores com implementos para manter o produtor no campo com mais agilidade para a produção no sequeiro. Serão mais dez tratores para as mesmas famílias que têm mais de cinco pessoas produzindo.

Receberão mais um trator com implementos para melhorar a força de trabalho.

São doações de benfeitores da fraternidade na Alemanha. A história de padre Geraldo merece ser conhecida.

Um homem que agora com aproximadamente 72 anos, dedica a vida a ajudar esses produtores em 8 municípios. Ele com os amigos da fraternidade que na época mais seca do ano, quando as pessoas passavam fome, alimentou oito municípios com doações. Já construiu um bairro em Simplício Mendes para famílias sem lar.

Imagine o trabalho desde 1967, o ano em que nasci.

Covid19

Fiquei doze dias em coma quando contraí Covid19 no ano passado, recebi muitas orações. Durante o coma sonhei muita coisa ruim, gente sendo maltratada.

Fui desenganado duas vezes pelos médicos e na segunda vez cheguei num ponto em que já estava indo embora. Cheguei para Cristo no sonho e disse que ficasse à vontade, o que o Senhor fizesse eu estaria feliz porque sabia que seria pelo Senhor.

Eu estava tão feliz por estar perto de Cristo, que pensava que veria minha mãe falecida e outros parentes, até que de um lado era vida e de outro morte. Eu olhava e Cristo (aquele da série Messias da Netflix) pegava em minha mão com força e dizia:

- Não! Eu quero que você vá, tem muita coisa para fazer, estarei com você. Sexta feira santa estarei com você, não é sua hora.

Ele me puxou pela mão, e eu comecei a melhorar, melhorar e melhorar. Estou aqui hoje. Estou vacinado na primeira dose, meus anticorpos estão altos."

A transformação

O trabalho de Queiroz pelo Brasil tem o objetivo de capacitar de forma ampla e prática, técnicos, produtores e participantes em geral para compreender agricultura orgânica ou eco inteligente e como praticá-la no dia a dia de uma propriedade sustentável.

Nos últimos quinze anos o mercado global de produtos orgânicos vem apresentando taxas de crescimento constantes, este fato traz à tona questionamentos, quebra de paradigmas e mudanças de atitudes por parte dos agricultores e toda a cadeia produtiva de alimentos.

O desenvolvimento da agricultura orgânica, assegura o fornecimento de alimentos saudáveis, mais saborosos e de maior durabilidade; não utiliza agrotóxicos, preserva a qualidade da água, não polui o solo nem o lençol freático e assegura estrutura e fertilidade dos solos, evitando erosões e degradação ao longo dos anos.

Atualmente a população busca qualidade de vida através da alimentação mais saudável, e por esse conjunto de fatores e muitos outros, a agricultura orgânica viabiliza a sustentabilidade dos sistemas, não só para agricultura familiar, mas ampliando também para outras modalidades de produção.

O curso prático em agricultura orgânica ministrado por Queiroz, capacita o produtor a atender a essas mudanças e compreender que podemos praticar uma agricultura mais ecológica, através do equilíbrio e harmonia com a natureza, mudando hábitos e buscando conhecimento.

Com esse propósito o curso de Queiroz já mudou a vida de muitas pessoas, muitos que não acreditavam e que hoje conhecem e praticam. Ele traz à tona o desejo de mudança de atitudes e tem como principal objetivo fomentar práticas de produção e de consumo sustentáveis com vista à promoção e desenvolvimento mais equilibrado e rentável.

Entrega de mais 10 tratoritos para o projeto José do Egito

Os depoimentos de quem passou pela transformação ao lado de Queiroz

Marcelo Parahyba, médico cardiologista e produtor

 

"Em relação à eficiência e eficácia da agricultura orgânica, o curso serviu para me mostrar que realmente funciona, e não funciona porque é coisa de bicho grilo que quer preservar a natureza e o homem que se lasque. Ela funciona porque melhora a produtividade, reduz custos, aumenta a produção e melhora as condições de vida do meio ambiente e das pessoas. Ou seja, só vi como positivo. A grande e ótima surpresa que eu tive foi essa confirmação: que os inseticidas tóxicos não tinham razão de ser. E fechamos com chave de ouro, em grande estilo, com a fazenda que nós conhecemos que é uma fazenda convencional que está adotando técnicas orgânicas justamente para poder melhorar sua produtividade e para melhor controle de pragas. Isso foi excepcional para mim.”

 

 

 

Maria Falcão, agrônoma

 

 

“Eu tenho um histórico do lado convencional de João Teixeira e quando vim para o curso fiquei tão receosa, me perguntando o que tinha a ver João Teixeira com o orgânico. Fiquei surpresa com o que eu vi, e o mais interessante é a consciência e a mudança de atitude, sem ainda ser certificado, porque geralmente uma coisa casa com a outra, quando você certifica você tem um interesse a mais que é o financeiro. Quando vi aquele trabalho todo, muito bem feito e exemplar, vi que não tem erro. Vi como um mais um é dois que a coisa realmente funciona. Foi fantástico, já quero fazer outro curso.”

 

 

Carlos Brasil, engenheiro agrônomo, especialista em gestão do agronegócio com mestrado em gestão da qualidade

 

 

“A experiência que eu tenho é com zootecnia, com produção de leite e gestão do agronegócio. Tenho uma vivência muito grande no que chamamos de convencional, ou melhor dizendo, acabei de aprender no curso, convencional que é aquela agricultura burra porque consome seus principais recursos que são solo, água e a vida. No curso, fica muito claro e simples que se você mantiver o ciclo de energia e equilíbrio, esse seu agronegócio vai se perpetuar por muitas gerações. É possível chegar num plano de negócios de conversão, numa lucratividade que consequentemente vai dar uma qualidade de vida para a pessoa que trabalhar de forma equilibrada com a natureza.”

 

 

 

Najla, aspirante a produtora

 

 

“Eu não sei quem de vocês já teve que recomeçar a vida de alguma forma, mas o curso de agricultura orgânica para mim é o meu recomeço. Eu quero agradecer muito porque tenho dois bebês e para continuar na roça é difícil, foi através de um outro agricultor que fiz o primeiro contato com Queiroz. Nenhuma pessoa me olhando, loirinha, branquinha com carinha de frágil, imagina que eu ia querer ir para uma horta e botar a mão na terra, fazer isso tudo no sol. Agradeço pela oportunidade sem julgamento.

É a coisa que mais me faz feliz hoje, ter feito esse curso.”

 

 

Oseano, proprietário da empresa Oba Agrícola no Piauí

 

“Desejo ao Valdecir Queiroz muita saúde, seu curso é muito proveitoso, absorvemos bem toda a experiência, tanto o pessoal da roça quanto os convidados. Vamos usar, além da produção de melão que será o melhor melão orgânico do mundo, na produção de manga todo o conhecimento adquirido.”

 

 

Mateus, seminarista de Simplício Mendes, no Piauí

 

“A palavra que vem à minha cabeça é agradecimento. No primeiro dia de aula o professor nos perguntou quais eram as nossas perspectivas para o curso.

Eu disse que era aprender e colocar em prática na pequena fazenda que meu pai tem. O professor Valdecir nos disse que ele não trouxe nada e que o curso seria tirado de nós.

Eu não falei, mas pensei, esse homem é louco. E realmente ele tirou o curso de cada pessoa que estava ali, um pouco de cada um e formou esse belíssimo curso onde cada um de nós aprendeu bastante. Falo por mim que não tinha nenhuma noção de agricultura e hoje sei fazer um biofertilizante, sei fazer um fungicida através dessas orientações do professor.

Ele não nos deu nenhuma receita pronta, mas ele foi nos dizendo o que era e para que servia cada planta. Nós, então, fizemos a elaboração dos produtos através dos conhecimentos que ele nos deu através das plantas. Estudamos o solo e as plantas. Particularmente achei o curso uma maravilha, pois mudou a minha vida, além de uma visão mais ampla da questão da agricultura orgânica, mudou também o conhecimento sobre plantas e solos.

Hoje sei o porque uma folha de uma planta está enrolada, sei o que está faltando. Reconheço o que falta em uma folha que está queimada. Só tenho a agradecer.”

 

Entrega de tratores para São Francisco de Assis do Piauí
Benção durante a abertura do curso em São Francisco de Assis do Piauí
Queiroz entre alunos agricultores
Queiroz entre alunos agricultores

 

Escritórios e contatos de Valdecir e Eulália Queiroz