O engenheiro Camilo e amigos durante pedalada nas ruas e estradas de São Paulo

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Um cenário de mobilidade urbana onde as diferentes opções se complementam.

Em termos de sustentabilidade este seria o mundo ideal, desde que coordenado aos recursos naturais necessários e existentes, sem prejuízos para a Natureza.

Os carros elétricos, ainda disponíveis apenas para a minoria são cada vez mais realidade no Brasil. Entretanto a grande protagonista democrática da vez é a bicicleta.

No prefácio do livro “Mobilidade por bicicleta no Brasil”, PROURB/UFRJ, André Trigueiro analisa: “A “magrela” jamais será a solução para todos os problemas de mobilidade, mas sem dúvida alguma, a melhoria da mobilidade passa por ela. Amsterdã, Copenhagen, Sevilha, Bordeaux, Nova Iorque, Bogotá, Medellin são algumas das cidades onde se percebe rapidamente o prestígio das bicicletas no sistema de transportes.

Por aqui, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Fortaleza e Campo Grande se destacam pelo tamanho de suas ciclovias, embora ainda haja muito o que avançar para tornar as cidades mais amigáveis e seguras para os ciclistas. Importante dizer que a turma do pedal já circula por aí desde o final do século XIX. Sucessivas gerações de ciclistas testemunharam o crescimento das cidades e a popularização dos automóveis. Mas o cicloativismo é um fenômeno novo, ainda não suficientemente estudado, que emprestou voz a um movimento que se desdobra em muitas frentes com um mesmo objetivo: inserir a bicicleta no planejamento urbano. O discurso é bonito. Na prática, muitos literalmente perderam a vida por acreditar nesse sonho. Uma das novidades trazidas pelos cicloativistas foi transformar a dor da perda violenta (em sucessivos atropelamentos) em mote para exigir justiça, respeito e espaço. Deu certo.

A bicicleta virou símbolo de resistência, de contracultura, de atitude em favor da saúde e da cidadania. Aumentou exponencialmente o número de brasileiros (ciclistas ou não)que passaram a entender a bicicleta como uma peça fundamental no complexo tabuleiro da mobilidade sustentável.”

400 mil toneladas a menos de gases poluentes por ano

Cada um dos mais de 8 mil brasileiros que usam a bicicleta no lugar do carro como meio de transporte deixam de emitir 4,4 kg de CO2 por ano. Já os que usam o ônibus evitam jogar na atmosfera 41,9 kg da mesma substância no mesmo período.

Esta estimativa faz parte de um estudo que revela o papel da bicicleta em cinco dimensões, analisando vários aspectos socioeconômicos e comportamentais. O estudo chamado “Economia da Bicicleta no Brasil” é uma parceria da Aliança Bike e o LABMOB (Laboratório de Mobilidade Sustentável, da UFRJ). Um dos pontos que merece destaque no estudo é justamente sobre os benefícios relacionados ao uso da bicicleta como uma maneira real de influenciar tanto o clima, quanto a redução da emissão de gases poluentes.

Na Conferência Mundial do Clima, ocorrida em 2016 em Genebra, foi adotado um novo acordo entre 195 países com o objetivo de reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Nessa ocasião o Brasil comprometeu-se a diminuí-los em 37% até 2025 e 43% até 2030. Os dados do estudo mostram uma base de como os ciclistas contribuem na diminuição da taxa de gases poluentes no país e como essa atividade é importante em todos os sentidos.

Cicloativismo

O cicloativismo é o ativismo político voltado ao uso da bicicleta como meio de transporte (ciclismo utilitário) nas cidades, reivindicando direitos dos ciclistas e sua segurança nas vias públicas, pressionando autoridades para garantirem tais direitos, surgiu no final da década de 2000.

Para o engenheiro Camilo Bezerra Castro, andar de bike em São Paulo é sonhar com uma cidade menos selvagem. “A bike te leva a locais que você jamais imaginou passar. Conseguimos enxergar uma outra cidade, com todos os detalhes que de carro, passam despercebidos. Além de fazer bem para saúde a bike te agrega novas amizades, trazendo um convívio social muito mais agradável”, diz ele.

Créditos das imagens: Camilo Bezerra Castro

 

 

A bike do engenheiro Camilo. Créditos das imagens: Camilo Bezerra Castro

Créditos das imagens: Tembici