Uni-Diversidade da Quebrada e Projeto Crioulo juntos no Jornal Onews e no Talk & Taste orgânico da Bio Brazil Fair / Biofach América Latina

O Talk & Taste orgânico 2024, realizado ao vivo durante a 18.º Edição da Bio Brazil Fair / Biofach América Latina 2024, sob comando da jornalista Kátia Bagnarelli recebeu no palco da cozinha mais saudável do Brasil o Projeto Crioulo ao lado da Uni-Diversidade da Quebrada.

A Uni é um centro de educação livre e desenrolada, com foco no fortalecimento da autonomia individual, social e dos vínculos comunitários dos jovens da quebrada. Partindo da sabedoria da favela e ampliando potencialidades individuais e coletivas, o Centro de Educação está unido à crescente rede de parceiros que orbitam suas ações.

Atualmente, atendem 200 beneficiários e contam com o apoio financeiro do Fundo Municipal da Criança e Adolescente (FUMCAMD) para manter as iniciativas. A Uni é um projeto do Instituto NUA – Nova União da Arte, uma Organização da sociedade civil localizada no bairro de União de Vila Nova em São Miguel Paulista, Zona leste de São Paulo, atuante no território desde os anos 2000.

                                     

Sua missão é co-criar e co-laborar com projetos e programas inovadores, ativando redes para o desenvolvimento social, econômico e sustentável em territórios periféricos, com a visão de tornar a favela uma inspiração e prática ESG, gerando um ecossistema capaz de promover a transformação social a partir da solidariedade, ancorados pelo propósito de resgatar o senso de viver e conviver em comunidade, ressignificando as relações com os recursos financeiros, sociais e ambientais.

Adolfo Mendonça, facilitador da Uni-Diversidade foi o convidado especial do Talk & Taste para preparar um bolo de fubá crioulo, acompanhado dos jovens Heloisa, Caio, Luan, os Gustavos, Stefany, Nicolas e Gabriel.

Durante a apresentação Kátia Bagnarelli chamou ao palco da cozinha Lucas Sousa, produtor orgânico e empreendedor do Projeto Crioulo, nascido para fortalecer o trabalho de conscientização sobre a produção orgânica.

Há cinco anos, Lucas, também responsável pelo @projetovistaalegre, passou a se dedicar a ampliar o cultivo da biodiversidade na horta através de legumes, hortaliças e do resgate e multiplicação de sementes crioulas, especialmente as de milho.

Sementes crioulas são vitais para a produção orgânica. Elas são diferentes das comerciais porque não sofreram qualquer tratamento químico (como fungicidas, por exemplo), ou modificação genética em laboratório (como as híbridas ou as transgênicas). Tem estrutura molecular única, resultado de anos de adaptação ao solo e clima locais, o que reforça nossa opção de ser agente ativo de mudanças.

As primeiras sementes chegaram às mãos de Lucas e Marcone (agricultor familiar e parceiro no Projeto Vista Alegre) através de pequenos produtores vizinhos da fazenda. Eles tiveram acesso a duas variedades de sementes de milho: uma vermelha, com grãos grandes e bom potencial para fubá, e outra de milho preto de pipoca, de grãos miúdos.

Em abril de 2019, a colheita foi boa, dos 6 quilos semeados, colheram 800 quilos de grãos, entre vermelho e preto. No mesmo mês a parceria com a Anna Guasti foi iniciada. Anna já era cliente e amiga desde 2010, sendo que a biodiversidade e gastronomia já faziam parte da sua vida. Com a chegada da Casa Guasti se formou o tripé do Projeto Crioulo: agricultura, comunicação e comércio.

O Instagram do Projeto Crioulo iniciou-se em 17 abril de 2019. Daí para frente, o dia a dia na Fazenda Vista Alegre e os resultados dos pratos criados, com nossos milhos crioulos, por chefs ligados a biodiversidade brasileira, passaram a ser acompanhadas por seguidores cada vez mais numerosos e engajados. Enquanto isso no campo, a safra 2020 chegou com alguns atropelos, e uma grande quebra de safra devido ao excesso de chuvas naquele ano. Muitas pessoas não sabiam o que era uma quebra de safra…

O trabalho do Projeto Crioulo tem um longo caminho pela frente. Mais do que ampliar a oferta de produtos orgânicos da fazenda, a ideia da ação é ampliar e fortalecer a rede de pequenos produtores locais vizinhos da fazenda. O milho foi o primeiro de muitas outras culturas que, além de gerar renda, poderão preservar biodiversidade e ampliar a diversidade de alimentos.

O processo de multiplicação de feijões crioulos já está em andamento de modo transparente, educativo e com compartilhamento.

O Projeto Crioulo está sendo criado a várias mãos.

“Mãos que trabalham a terra, dando vida aos grãos ancestrais que estão sendo garimpados de norte a sul de nosso país; Mãos que escrevem histórias, e que nos ajudam a resgatar a história desses alimentos, que muitas vezes se confundem com a história de várias civilizações; Mãos que transformam estes alimentos em jóias gastronômicas, trazendo novas possibilidade e sabores incríveis, que nos fazem viajar, através do tempo e das culturas.”

Acompanhe a seguir a gravação do Talk & Taste:

 

 

Abaixo imagens do projeto Uni-Diversidade da Quebrada